Abertura
Uma das dores mais profundas da alma humana é ser rejeitado.
Ser ignorado já fere. Ser desprezado dói mais. Mas há um tipo de dor ainda mais pesada, dar-se e não ser recebido, amar e não ser correspondido, permanecer e ser tratado como descartável.
Centro da questão
Muitas pessoas medem o valor do amor pela forma como são tratadas. Se são acolhidas, acreditam no amor. Se são rejeitadas, começam a duvidar dele.
Mas a cruz mostra-nos uma verdade mais funda, o amor de Cristo não dependia da aceitação dos homens para continuar a ser amor.
Leitura humana
O ser humano, por natureza, tende a proteger-se. Quando é magoado, retrai-se. Quando é rejeitado, fecha-se. Quando é desprezado, endurece. E em certa medida isso parece compreensível, porque ninguém gosta de permanecer onde está a ser ferido.
Por isso, quando olhamos para a forma como Jesus foi tratado, somos confrontados com algo que não nasce da carne. Ele foi desprezado, rejeitado, maltratado, incompreendido e ainda assim não recuou.
Isto expõe a fragilidade do nosso amor. Grande parte do amor humano dura enquanto é bem recebido. Cristo amou mesmo quando foi rejeitado.
Luz bíblica
Isaías 53 apresenta-nos um quadro duro, um homem de dores, experimentado nos trabalhos, desprezado e rejeitado entre os homens. Não estamos a falar de uma dor abstrata, mas de uma rejeição concreta, relacional, visível e humilhante.
Ainda assim, o texto mostra que Ele continuou o caminho. Como cordeiro levado ao matadouro, não abriu a boca. Não respondeu na mesma moeda. Não desistiu da missão por causa da dureza de quem O cercava.
A grandeza disto não está apenas no sofrimento em si, mas na forma como o amor permaneceu dentro do sofrimento.
Cristo não deixou de amar quando foi rejeitado. Não deixou de obedecer quando foi ferido. Não deixou de Se entregar quando foi desprezado.
Direção
Se queres perceber o amor de Deus, não o meças apenas pelos momentos em que te sentes bem. Mede-o pela cruz.
Ali vês um amor que não recua diante da rejeição. Um amor que não abandona a missão porque foi maltratado. Um amor que não se torna amargo porque encontrou dureza pelo caminho.
E esta verdade não serve apenas para te consolar. Serve também para te formar.
Quem olha para Cristo aprende que fidelidade não é permanecer apenas quando tudo corre bem. Muitas vezes, é continuar a obedecer, continuar a amar e continuar a manter o coração limpo mesmo quando a resposta do outro é dor.
Para levar
O amor humano muitas vezes para onde a rejeição começa.
O amor de Cristo permaneceu até ao fim.