Reflexão

Cristo não é mais uma gaveta

Priorizar Cristo não é colocá-Lo no topo de uma lista onde pode ser substituído. É reconhecer que Ele é a estrutura onde toda a vida deve ser colocada.

29 de março de 20263 min de leitura

Abertura

Muitas vezes, quando falamos em dar prioridade a Cristo, imaginamos a vida como uma cómoda com várias gavetas.

Numa está a família. Noutra o trabalho. Noutra o ministério. Noutra os estudos. E depois dizemos que Cristo deve estar na primeira gaveta, acima de todas as outras.

Parece uma boa imagem. Mas quanto mais se pensa nela, mais se percebe que ela é insuficiente.

Centro da questão

Se Cristo for apenas a primeira gaveta, então continua a ser apenas uma parte da móvel. Continua inserido numa lógica de compartimentos. Continua a ocupar um lugar que, em teoria, poderia ser trocado, deslocado ou substituído.

E isso já revela um problema.

Cristo não veio para disputar o primeiro lugar entre várias áreas autónomas da nossa vida. Cristo não deve ser apenas o elemento mais importante dentro da organização geral. Ele deve ser a base, a estrutura, o sustento e o centro a partir do qual tudo o resto encontra o seu lugar.

Leitura humana

O ser humano gosta de compartimentar. É uma forma de manter sensação de controlo. Uma coisa para Deus, outra para a família, outra para o trabalho, outra para os sonhos, outra para os afetos. Assim parece que tudo está arrumado.

Mas essa arrumação pode esconder uma divisão interior perigosa. Porque quando Cristo fica reduzido a um compartimento, mesmo que seja o mais alto, continuamos a viver com zonas que, na prática, funcionam ao lado d'Ele e não n'Ele.

E é exatamente aí que muitas desordens nascem. A fé fica preservada, mas não integrada. Cristo é respeitado, mas não abrange. É honrado em teoria, mas não sustenta de facto cada esfera da vida.

Luz bíblica

A Escritura não apresenta Cristo como um item a priorizar dentro de um sistema já montado. Apresenta-O como Aquele em quem tudo subsiste.

Colossenses 1:16-17 diz que todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele, e que n'Ele tudo subsiste. Isto vai muito além da ideia de importância relativa. Fala de fundamento, origem, sentido e sustentação.

Também em João 15, Jesus não se apresenta como complemento à vida dos discípulos. Apresenta-Se como videira, e eles como ramos. Ou seja, a vida não corre ao lado d'Ele. A vida depende d'Ele.

Por isso, procurar primeiro o reino de Deus não significa apenas reorganizar a lista das prioridades. Significa recentrar toda a existência em Cristo.

Direção

Talvez a forma mais certa de pensar esta ilustração não seja ver Cristo como a primeira gaveta da cómoda, mas como a própria cómoda.

A família deve estar em Cristo. O trabalho deve estar em Cristo. O ministério deve estar em Cristo. Os estudos devem estar em Cristo. Os sonhos, os afetos, as decisões, os ritmos, os projetos, tudo deve ser colocado sobre essa estrutura.

Não tens apenas de pôr Cristo acima do resto. Tens de pôr o resto todo n'Ele.

Quando Cristo se torna a base, as áreas da vida deixam de competir entre si por definição de identidade e direção. Passam a encontrar ordem, correção e sentido porque estão sustentadas no lugar certo.

Para levar

Cristo não veio para ocupar a gaveta de cima.

Cristo veio para ser a estrutura inteira onde a tua vida aprende finalmente a ficar de pé.

Para levar

Para levares contigo

Um convite a rever postura, leitura e resposta interior.

  1. Tenho tratado Cristo como prioridade entre outras, ou como fundamento de tudo?
  2. Que áreas da minha vida ainda estão organizadas ao lado de Cristo, em vez de estarem entregues n'Ele?

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